No Dia Nacional do Atleta Paralímpico, uma história sobre encontro, remada e a descoberta de outras formas de guardar o que um gesto carrega.
O que estamos fazendo com a nossa energia?
A pergunta parece ampla até o momento em que encontramos alguém capaz de torná-la concreta. Para mim, uma parte dessa resposta começou no Instituto Remo Meu Rumo.
Antes da tecnologia, um encontro
Foi no Remo Meu Rumo, ambiente que oferece apoio à Seleção Brasileira de Remo Paralímpico, que fui apresentado ao atleta paralímpico Renê Pereira.
Ali, a energia não era uma ideia abstrata. Estava na preparação, na repetição, na precisão e na persistência de cada movimento. Estava também nas pessoas que sustentam o esporte, criam condições para o treinamento e ajudam cada atleta a seguir adiante.
Conhecer Renê despertou uma pergunta simples: seria possível registrar algo de sua remada que uma imagem, sozinha, não consegue mostrar?
“O grito do remo — Sintonia do eixo Z”
Em 30 de maio de 2025, na Raia da USP, realizamos com Renê um experimento usando sensores, áudio e vídeo. Queríamos observar o movimento por diferentes perspectivas e descobrir o que seus dados poderiam revelar.
Entre os registros biomecânicos, concentramos a atenção no eixo Z, relacionado ao movimento anteroposterior do tronco. Na remada, esse deslocamento participa de uma sequência precisa de preparação, impulso e recuperação. Os gráficos tornavam o gesto mensurável, mas não continham toda a sua experiência.
Havia esforço, ritmo, resistência e intenção. Havia uma pessoa dentro dos dados.
E se pudéssemos transformar essa energia?
Os registros foram interpretados com inteligência artificial e transformados em uma obra artística expressionista. As linhas, as formas e as cores não tentavam reproduzir literalmente a remada. Elas ofereciam uma resposta sensível à intensidade daquele movimento.
O resultado nos fez perceber que imagem, áudio, vídeo, movimento, dados e história não precisam existir separados. Quando reunidos com propósito, podem dar origem a arte, memória, conteúdo, experiência e novas formas de valor.
A obra não substitui a história de Renê e não pretende falar por ele. Ela nasceu do encontro com seu gesto e só faz sentido porque existe uma pessoa no centro.
Se fui eu quem criou, de quem deveria ser esse ativo?
Essa pergunta surgiu mais tarde, mas já estava presente naquele experimento. Quando um atleta produz um gesto, uma história e um conjunto de dados capazes de gerar uma obra, sua participação precisa ser reconhecida.
Essa reflexão ajudou a formar uma das ideias que hoje orientam o PicFlow: colocar o criador no centro, com autoria, contexto, privacidade, transparência e capacidade de decidir como sua história participa de uma experiência.
É também uma das raízes conceituais das Energy Cards. Mais do que registrar a aparência de um instante, uma Energy Card pode conectar o objeto físico ao universo digital que o cerca: o movimento, o som, a narrativa e a pessoa que tornam aquele momento único.
Um antecedente da visão do PicFlow
Naquele dia, ainda não havia uma definição pronta para tudo o que viria depois. Havia uma experiência, algumas perguntas e uma descoberta.
Percebemos que a tecnologia poderia ajudar a revelar histórias sem retirar delas sua dimensão humana. Um momento físico poderia continuar em uma experiência digital. Um dado poderia se tornar linguagem. Uma imagem poderia abrir uma porta para algo maior.
O experimento com Renê tornou-se, assim, um dos antecedentes conceituais da visão atual do PicFlow: transformar fotos, vídeos, áudios, movimentos, dados e histórias em ativos e experiências digitais e phygital.
Aonde queremos chegar com tudo isso?
Queremos usar a tecnologia para revelar histórias, acolher diferentes perspectivas e criar novas possibilidades. Queremos contribuir para uma economia criativa mais humana, inclusiva e sustentável, na qual pessoas, diversidade, parcerias e impacto façam parte do valor construído.
Esse caminho não começou com uma resposta definitiva. Começou com a disposição de observar, escutar e experimentar.
Uma homenagem que permanece
No Dia Nacional do Atleta Paralímpico, retornamos a essa história para homenagear Renê Pereira e todos os atletas que transformam esforço em movimento, movimento em trajetória e trajetória em inspiração.
Também reconhecemos o Instituto Remo Meu Rumo, que tornou esse encontro possível e oferece apoio à Seleção Brasileira de Remo Paralímpico.
A remada aconteceu em um dia específico. Os sensores foram desligados. O barco deixou a água. Ainda assim, o que aquele gesto nos ensinou continua presente.
O movimento passa. A energia permanece.
Conheça as histórias e experiências que continuam ganhando novas formas no PicFlow.

Renê Pereira durante os primeiros experimentos que ajudaram a inspirar a visão do PicFlow: transformar movimento, dados e histórias em novas experiências digitais.

Renê Pereira em ação na Raia Olímpica da USP — esporte, movimento e dados como ponto de partida para novas formas de contar histórias.
